
Numa cidade de província essa mística toma proporções maiores, uma vez que para a mesma escola confluem gerações e gerações de elvenses, remontando-nos para uma lembrança comum e sendo elo de ligação entre os elvenses.
A Secundária D. Sancho II de Elvas tem mais de 50 anos, denominada inicialmente de Escola Industrial e Comercial, tinha como objectivo a preparação dos elvenses para a vida activa. Anos mais tarde, e como resultado da fusão com a secção liceal, assumiu a denominação de Secundária.
Com uma localização privilegiada, mesmo em frente ao ex-libris da cidade, o Aqueduto da Amoreira, a Secundária D. Sancho II ocupa uma área considerável da avenida da Piedade, zona nobre do burgo, dando nas vistas a quem entra na cidade vindo de Lisboa.
São várias as histórias que nos vêm à memória se pensarmos na nossa passagem por aquele estabelecimento de ensino.
Os rapazes coincidimos numa recordação comum : a célebre coroa. Sendo o ponto alto das praxes aos calouros, todos os elementos do sexo masculino são brindados com o corte de uma circunferência de cabelo, cuja dimensão varia. Recordo-me que no meu caso, quase chegava ao tamanho de uma moeda de cinquenta escudos…havia-as bem mais pequenas.
Nunca frequentei nenhuma outra secundária, mas a nossa D. Sancho II é realmente única. Tudo tinha a sua razão de ser. O estridente som da campainha alertava-nos para mais um intervalo, ocupando cada qual a sua zona habitual de convívio. Era fácil identificar os grupos pelo local onde habitualmente se concentravam. A minha malta reunia-se detrás do ginásio.
O intervalo que tinha lugar às 10h20 era o mais esperado, não só porque era o maior, 20 minutos, como também o único que proporcionava uma oferta diferente no Bar : havia cachorros quentes!!! Sim, porque se as novas gerações têm uma panóplia de oferta alimentar, nos nossos bons tempos não íamos além das sandes de queijo e fiambre. Os cachorros no maior intervalo da manhã eram o furor da malta.
Como alternativa tínhamos o Supermercado Galego e os bolos da Padaria junto ao Jardim Municipal, onde sempre se podiam degustar alguns bolitos. Nessa altura entrava-se e saia-se tranquilamente da escola sem os stresses de hoje em dia.
Alguns professores também marcaram a história da nossa Secundária, com alcunhas mais ou menos sugestivas, mas que contribuíram de forma activa para tornar ainda mais memorável a nossa passagem pela escola, bem como os inesquecíveis funcionários sobre os quais sou suspeito de emitir pareceres por razões familiares.
No passado sábado a nossa Secundária D. Sancho II abriu portas à sociedade depois de um ano e meio de obras de reestruturação que a redimensionaram e a apetrecharam condignamente para continuar a formar elvenses e a prepará-los para o futuro.
Faço votos que as novas instalações sejam apenas o motor para aumentar a qualidade do ensino ministrado e que contribua para que, em futuros rankings, a nossa D. Sancho II possa melhorar o seu desempenho não só a nível regional, mas também nacional, fazendo dela uma referência.
São Mais Dualidades!!!
NP