
Nos tempos que correm, mais do que nunca, para se conseguir criar ou manter um negócio rentável é preciso imaginação, sentido de oportunidade, visão, algum capital para investir e, certamente, muito trabalho.
O post de ontem do NP mostrava isso mesmo. Um caso que tem tudo para ter sucesso.
Esse caso passa essencialmente por pegar num produto que já existe há muitos e muitos anos e tentar revitaliza-lo. Um produto que tem certamente mercado.
Pegando na ideia principal, que é a "descoberta" de negócios com sucesso e com imaginação, hoje trago mais outro exemplo. Não elvense, mas nacional.
Apesar de não ser um produto altamente conhecido, do qual toda a gente fala e referenciado em todo o mundo, a verdade é que Portugal desde muito que tem uma grande tradição no fabrico de calçado de qualidade (talvez falte um pouco de divulgação e a tão necessária publicidade, cada vez mais imprescindível).
Mas como em tudo, é preciso inovar constantemente sob o risco de estagnar e perder a "piada". É o que estão a fazer algumas empresas nacionais do sector.
Cortiça, pele de pata de galinha ou pele de porco hipoalérgico são alguns dos novos materiais e das novas tendências do calçado português que estão à conquista do mundo lá fora.
A nova aposta das empresas nacionais está nos produtos ecológicos e terapêuticos. Cortiça, pele de pata de galinha ou de pele de porco hipoalérgico são algumas das matérias-primas que estão na moda para fabricar sapatos biológicos.
A empresa nacional Ferreira Avelar, que tem como um dos clientes de referência o presidente francês, Nicolas Sarkosy, lançou no mês passado, em Itália, numa das principais feiras mundiais do sector, a nova linha Cork&Style, que alia a cortiça "a um produto da moda, actual e com design arrojado", nas palavras de Ruben Avelar, responsável da área de Sales&Marketing da portuguesa.
Segundo esse responsável, a ideia surgiu após uma das reuniões entre a administração e o departamento comercial para definir estratégias comerciais para 2011. Um dos pontos discutidos "foi a subida absurda dos preços do couro nos últimos meses e qual seria a possibilidade de encontrarmos uma matéria-prima, com qualidade e biodegradável, algo essencial para o futuro da humanidade, além, claro, do preço inferior ao do couro". "A cortiça reúne todas as características, além de ser um produto nacional", diz ainda.
Actualmente, a linha baptizada de Cork&Style disponibiliza cinco modelos com um preço que se situa entre os 50 e os 70 euros, mas a Ferreira Avelar vai aumentar a oferta para 10 já na próxima colecção de Inverno.
Outra empresa do sector, a Softwave, criou recentemente um novo sistema, o GoAir, que consiste em forrar os sapatos com pele de porco hipoalérgico, isento de crómio.
Os preços destes sapatos variam entre os 90 e os 150 euros.
Ainda um outra empresa também do sector do calçado, a Mariano, tinha lançado no ano passado uma linha de sapatos em pelo de pata de galinha.
Neste caso, por estas serem "peles muito pequenas e por toda a concepção do sapato ser feita à mão, os preços oscilam entre os 300 e o 400 mil euros".
Os principais mercados destes sapatos são a França, a Alemanha, o Canadá e o Japão.
JP