
Éramos 3: 1 veterano, pois já era o 2º intento, e 2 noviças, que da excitação pareciam umas galinhas. Os 130km percorridos, a voar, passaram-se muito bem entre risadas. A malta gosta mesmo é de convívio!!
Lá chegámos a D. Benito. Numa rua estreita, com transito em ambos os sentidos. Casas de um lado e de outro. Baixas. Máximo 1º andar. O nosso veterano, com memória fotográfica levou-nos ao exacto local à 1ª!
A porta à face do passeio estava aberta. Olhando para dentro, via-se uma escada que nos conduzia à porta de casa no 1º andar. Subimos, tocámos e o Manuel veio abrir.
Eu fui a última, pois estava a esfumaçar o último cigarro, como se não houvesse amanhã!!
O Manuel cumprimentou-nos 1 por 1, reconheceu o veterano, indicou-nos a sala, logo à esquerda da porta de entrada, e perguntou-nos quem era o 1º? Em milésimos de segundos, decidiu-se por maioria que era a Soa! E lá foi ela tentar a Sua sorte enquanto explorávamos a sala…
Uma casa pequena com o essencial, nada de luxos. Por outro lado extremamente organizada, do tipo de casa de gajo que sempre viveu sozinho e sempre fez tudo, portanto nunca teve gaja!
Antes de ir procurei informações do nosso anfitrião e disseram-me primeiro que era bruxo, depois que era enfermeiro e por fim que era missionário. Efectivamente missionário sem dúvida que foi.
Na sala havia várias fotos, de família, dele em missões, crianças dessas missões; Máscaras e esculturas africanas, artesanato sul americano, maia, pedras vulcânicas e uma estante pequena cheia de fósseis: dentes, conchas, búzios, peixes.
O gosto que tinha pelos sítios onde tinha passado, têm ali aquele espaço como tributo.
Um cheiro muito leve e agradável a incenso e ervas, enquadrava este espaço soalheiro cheio de recordações.
Com esta informação recolhida in loco, fiquei aliviada! Porquê? Bem, se fosse bruxo não tinha ido. Não domino a temática e tenho receio; Se fosse enfermeiro, ia-lhe fazer muitas perguntas, tenho sempre medo de experiência à "má fila" e poder ser cobaia; Sendo missionário, tá tudo na paz! Porquê? Pois quem anda por esse mundo fora, conhece as medicinas tradicionais que são a base do que é reproduzido artificialmente em laboratório e combinado, e redoseado... Não há nada para inventar, falta é descobrir o que foi inventado ;)
A Soa saiu e entrei eu. Uma sala de jantar com uma camilha rectangular aquecida por um aquecedor a gás. Esta sala já mais impessoal com poucas fotos. Em cima da camilha estava então um copo transparente com água, um cinzeiro quadrado, grande e colorido onde já jazia o último cigarro da Soa!
O Manuel, figura magra, dos seus cinquentas e muitos, com uma assimetria da mandíbula no lado esquerdo, óculos, com o seu “piquinho” de padre e eventualmente uma sexualidade invertida, lá me disse que o copo continha umas gotas de extracto/essência de mandioca. Substancia esta que inibia a vontade de fumar devido a "blá, blá, blá..."
Acto contínuo disse para beber a água. Bebi em vários golos e havia um sabor que me era familiar mas que não consegui identificar. Um dia destes lembro-me. Ele explicou que a formação académica inicial foi a de enfermeiro e que nessa condição, trabalhou alguns anos no hospital na ala de toxicodependentes. Disse-me que a nicotina é muito mais viciante que a heroína, cocaína, álcool, etc... Falou-me dos malefícios do tabaco, que estão comprovadíssimos cientificamente.
Disse para acender o meu último cigarro. Enquanto fumava, ele levantou-se e pôs-se a fazer uma espécie de massagem na minha cabeça. Perguntei o que estava a fazer, ao que o Manuel respondeu que era uma espécie de “Raki”, mas também com 1 cariz religioso. O Manuel com tanto mundo e realidades que já viu, tem seguramente umas crenças e perspectivas muito próprias de tudo. Neste caso, o que nos levou lá não é excepção. E se todos somos energia, qual o problema de alguém nos projectar uma energia extra para deixar de fumar e de nos dar um remédio natural para controlar a ansiedade do fumador?
Resultados após 24h:
Soa – 1 semana antes de ir, começou a fazer acupunctura. Embora lhe soubesse mal o tabaco, não conseguia controlar o impulso de dar 2 ou 3 bafos. Agora não lhe pega!;
Veterano – Ia com pouca convicção, mas está-se a aguentar sem ansiedade;
Eu- Até agora também estou a controlar. O mais complicado é quando tenho fome...
Os 3 achamos que a força de vontade é o principal de todo este processo. Mas há que ter em consideração que o que tomámos seguramente que fez alguma coisa. Nenhum está "stressado" com a abstinência.
Quem quiser experimentar o NP dá o contacto.
É de salientar que o copo de água custa 20€. O dinheiro reverte a favor de missões onde o Manuel já esteve.
Várias pessoas já tentaram, umas deixam de fumar, outras voltam, outras desistem...
Cada caso é um caso, como será o vosso?
MS