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quinta-feira, 24 de março de 2011

Rebentou! E agora?

O post de hoje tem algo de inédito: é o primeiro post a ser escrito neste blog numa situação em que José Sócrates não é formalmente o Primeiro-Ministro do país.
Ontem, na Assembleia da República, aconteceu aquilo que já era esperado por todos, desde há algum tempo: o PEC IV foi reprovado por todos os Partidos da oposição e José Sócrates fez aquilo que deixado entender por meias palavras, ou seja, apresentou a sua demissão ao Presidente da República.
O debate de ontem, para além do seu resultado final, ficou mais uma vez marcado pelo próprio José Sócrates. O ainda Primeiro-Ministro entrou na Assembleia, assistiu ao início do debate e passados poucos minutos levantou-se e foi embora, sem assistir nem participar na discussão.
O seu Ministro das Finanças, principal actor do mesmo e seguindo um pouco o exemplo do seu "chefe" de Governo, ausentou-se do debate durante largos minutos.

Mas o que agora é realmente importante é que chegámos à situação temida por muitos e aguarda por outros tantos. O Governo caiu, avistam-se novas eleições e os tais mercados voltaram a disparar os juros cobrados a Portugal.
O Primeiro-Ministro que esteve à frente dos destinos de Portugal durante quase 6 anos e que nos trouxe até à situação actual vai sair. Para alívio de muitos. Eu próprio.
Mas e agora?! O que é que aí vem?!... Certamente nada de bom.
A situação do país é tão grave que qualquer que seja o Partido ou pessoa que ganhe o poder os resultados a curto e médio prazo não serão muito diferentes. As palavras-chave em comum vão continuar a ser crise, dificuldades, impostos, recessão, desemprego e muitas outras relacionadas.
Qualquer que seja o Partido que ganhe o controlo dos destinos do país as medidas que tomar serão no sentido de arranjar dinheiro para começar a pagar o que devemos e fazer baixar a agressividade dos tais mercados e evitar a entrada do FMI no nosso país, correndo o risco de virem e baterem ainda mais nas já fustigadas costas do portugueses.
As medidas, ideias e politicas diferenciadoras de qualquer Partido só se farão sentir a médio ou longo prazo, quando as mesmas tiverem o necessário tempo para surtirem efeito, com mais ou menos agressividade para todos nós, os contribuintes.
Não se espere por isso que um futuro Governo do PSD, só ou aliado com outro Partido, traga melhorias à vida do país. Dúvidas houvesse, o seu líder Pedro Passos Coelho, ontem já o disse. Não promete que no caso de assumir o poder não venha a aumentar os impostos.
Ou seja, as caras até podem mudar, mas a curto e médio prazo as politicas não serão muito diferentes.

Para cúmulo, e a avaliar pelas sondagens de opinião que têm sido publicadas, o resultado de umas futuras eleições não dará uma maioria absoluta a nenhum Partido e continuaremos com os dois maiores Partidos próximos um do outro e o vencedor das eleições com uma maioria pouco significativa e a precisar da ajuda do outro para aprovar as suas politicas e ideias.
E da forma que os dois Partidos, PS e PSD, andam "picados" um com o outro, não se espera que haja grande consenso ou solidariedade nas negociações um com o outro.
Será que haverá coligações? E será que uma coligação a dois será suficiente? Veremos...

Resumindo, no final de tudo isto, quer tenhamos ficado satisfeitos ou desagradados com este desfecho, apenas podemos ter uma certeza. A de que nos próximos tempos as coisas não vão melhorar em nada. Apenas podemos ficar a torcer para que no médio prazo elas comecem a melhorar aos poucos.

JP

6 comentários:

Notícias curiosas de Elvas disse...

Deveria ter posto o lugar à disposição para poder ser investigado sem restrições quando um Súbdito Britânico afirmou que tinha recebido "Luvas" para despachar favoravelmente o "Freeport".

Num País com cultura Democrática tinha sido apanhado.

Anónimo disse...

Pois começa mal o texto. Acontece que FORMALMENTE José Sócrates é o primeiro ministro. Assim é pq Cavaco o quer de plenos poderes na cimeira europeia. Para todos os efeitos e FORMALMENTE teremos de gramar o injinheiro mais un dias. Depois de aceite a demissão o injinheiro será o líder de um governo de gestão mas ainda assim será FORMALMENTE o primeiro ministro. Conclusão, José Sócrates só deixará de ser FORMLAMENTE o primeiro ministro quando FORMALMENTE for indicado outro através de eleições. No entanto compreendi o que quiz dizer! :)

Dualidades JP disse...

Agradeço a chamada de atenção.

Assim sendo, mais um facto inédito neste blog. Pela primeira vez um post vai ter uma errata.
Onde está "formalmente" deve ler-se "na prática".

Elvascidade disse...

Ainda mais confusão na República das bananas!

Anónimo disse...

Comunas ao poder. Esses sim prometem baixar os impostos todos e aumentar ordenados e reformas só à custa dos bancos.
Vota Jerónimo.

Anónimo disse...

Vota Jerónimo claro. Depois os bancos vão sacar ainda mais despesas de manutenção e juros de empréstimos para sustentar isso. É tipo rabo de peixe na boca.