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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Crónica de uma morte eminente...

Vila Fernando é a freguesia mais pequena do concelho de Elvas, com pouco mais de três centenas de habitantes, terra de gente boa e de muitos amigos.

De casas térreas, tipicamente alentejanas que se espalham à volta da igreja paroquial consagrada a Nossa Senhora da Conceição, Vila Fernando foi ao longo dos tempos uma freguesia que viveu da agricultura e dos serviços que existiam no recentemente extinto Instituto de Reinserção Social, antiga escola correccional.

Fundado em 1882, o referido instituto deu vida à freguesia, criou postos de trabalho e riqueza, conferindo-lhe alguma vitalidade. Recentemente fechou as portas, deixando ao abandono a vasta área ocupada pelas suas instalações e atirou para a mobilidade os que dele dependiam. Outrora animado por jovens em actividade correccional, monitores e demais funcionários, hoje, a popularmente Colónia de Vila Fernando está vazia e sem vida. Até o sino da torre foi roubado.

No horizonte existe a esperança de as mesmas instalações serem utilizadas para uma prisão de alta segurança englobada numa rede nacional, anunciada com pompa e circunstância pelos políticos, no entanto, a crise e a complicada situação económico-financeira do país tem deixado para segundas núpcias o projecto.

Enquanto isso Vila Fernando vai definhando, morrendo a cada pôr-do-sol.
Essencialmente habitada por uma população envelhecida e que a pouco e pouco vai desaparecendo, Vila Fernando encanta quem a visita. O largo da igreja é aprazível nas noites de verão, depois de uma boa e típica jantarada no Restaurante Taberna do Adro onde se podem experimentar os aromas e sabores de outros tempos. Quem não aprecia umas boas sopas de pão, com destaque para as sopas de tomate, no verão o gaspacho, as migas, o assado de borrego e nos doces as fatias de ovos e o arroz doce.

É terra de tradições, com o seu orago a Nossa Senhora da Conceição que anualmente é celebrado no dia 8 de Dezembro ou nas festas de verão que, em Julho, trazem à freguesia os muitos filhos da terra deslocados das suas origens principalmente na grande Lisboa.

Para quem gosta de caça encontrará facilmente coelhos, lebres, perdizes, rolas e milhafres, constando o mesmo no brasão da freguesia. Se a preferência recai sobre a pesca, a albufeira existente junto à freguesia tem as condições ideais para encontrar achegãs, percas, bogas ou carpas.

A aldeia da "Piorna", como é conhecida, tem tradição nas rendas, mas também na madeira e no vime, apesar dos artesãos terem vindo a desaparecer.

Existe potencial, existem motivos de interesse, falta investimento e capacidade de dinamização.

Não podemos permitir que a riqueza das nossas aldeias se vá perdendo à medida que as mesmas definham num mundo global onde predominam outros valores bem diferentes daqueles que ocupam o seu quotidiano.

São Mais Dualidades!!!
NP