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terça-feira, 19 de abril de 2011

Toca a ir pela CRIL. Mas bem devagarinho

Muitos anos depois, muitos milhões depois e muitos processos em tribunal depois, apetece-me dizer que finalmente temos CRIL. A já famosa Circular Regional Interior de Lisboa foi finalmente inaugurada na sua extensão total.
Aconteceu no Sábado e o nosso Primeiro, com toda a sua comitiva, fez questão de marcar presença. A inauguração formal aconteceu no Sábado mas só no Domingo a nova via abriu ao trânsito.

A nova via que vai servir a área metropolitana de Lisboa ficou finalmente concluída na sua totalidade, permitindo fazer a ligação entre a zona oriente de Lisboa, desde Sacavém, contornar a grande Lisboa até terminar novamente junto ao Tejo, em Algés. No total são mais de 20 quilómetros de via rápida e sem portagens.

Na teoria será uma óptima alternativa para muitos que diariamente fazem os seus percursos diários para o emprego e do emprego para casa.
De entre aqueles que, teoricamente, serão extremamente beneficiados com esta nova via rápida devo estar eu incluído.
Quem sai de manhã de Odivelas e se dirige para Alfragide, a nova CRIL arrisca-se a ser a oitava maravilha do mundo.
Imaginar a possibilidade de evitar a Calçada de Carriche, Eixo Norte-Sul e Segunda Circular em hora de ponta até me faz arrepiar de satisfação.
Mas até aqui entra a parte da teoria. Por alguma experiência própria já aprendi que algumas vezes a prática fica bem longe.
Quando os veículos a circular diariamente são demais, por mais vias que sejam abertas consegue-se sempre criar filas em mais uma.
Ainda assim, neste caso, vou esperar mais uma semana ou duas para tirar conclusões. Porque esta é a primeira semana em que a CRIL está aberta e ainda não se criaram as rotinas diárias e também porque estamos em férias da Páscoa, a sensatez diz-me para esperar algum tempo antes de mandar os foguetes e ir buscar as canas.

Se se mantivesse como aconteceu ontem, seria mesmo uma maravilha. Mas o trânsito foi pouco demais para se esperar que assim se mantenha.
A parte negativa de tudo isto, porque tinha de haver, não fossemos nós portugueses, foi a quantidade de radares de velocidade com que praguejaram o novo trajecto agora aberto.
Se estar limitado a 80 quilómetros por hora na Segunda Circular ainda considero aceitável, aproveitar-se desta nova CRIL, com 3 faixas para cada lado, amplamente largas, separador central e cruzamentos desnivelados e limitar a velocidade a 70 quilómetros por hora, não me parece mais que uma forma extremamente subtil de arranjar financiamento para pagar a obra. Não há portagens mais vai haver multas com fartura. Basta lá passar e ver os flashes a disparar a um ritmo mais elevado que numa festa de casamento.
A maior dificuldade é mesmo conseguir manter o carro na quinta mudança à estonteante velocidade de 70 à hora.
E no sentido Odivelas - Amadora, aquela descida marota, antes de entrar no túnel apinhado de radares, é perfeita para apanhar os patos.

JP