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quinta-feira, 31 de março de 2011

Caderneta de cromos: ir às compras a Espanha

Acabo de ouvir o primeiro cromo de hoje da caderneta do Markl, rubrica que habitualmente merece a minha atenção no trajecto para o trabalho.

Normalmente faz-me sorrir por recriar experiências e vivências com que me identifico e das quais já nem tinha memória.

Hoje, contudo, o tema não se ajustava para quem vive e sempre viveu na raia.

Contava-nos o Markl uma das aventuras favoritas das famílias portuguesas nas década de 70 e 80: ir às compras a Espanha, quer fosse a Vigo, Badajoz ou Ayamonte.

Não me identifico com a mística à volta da viagem, a noite anterior sem dormir, nem as excursões familiares, mas as lojas e os produtos trouxeram-me recordações à memória.

Os elvenses assumiam semanalmente essa rotina. Apesar das fronteiras estarem fechadas e de termos que mostrar a documentação para entrar no país vizinho que ficava à distância de pouco mais de dez quilómetros, ninguém dispensava o passeio de sábado à tarde.

À data, o centro de Badajoz apresentava uma diversificada oferta de lojas que faziam cair o queixo aos portugueses.

Começava-se pelo Simago, supermercado indispensável mesmo no centro da cidade vizinha, onde se compravam géneros alimentícios, e aí tenho que concordar com o Markl porque não faço ideia se eram ou não mais baratos. Por certo mais variados, mas não tenho a noção se mais em conta.

Ainda no Simago cumpria-se outro ritual : os perritos calientes. Longe dos tempos da ASAE, num vão de escadas que nos conduzia ao parque de estacionamento do supermercado, todo o tuga comia o seu cachorro quente, iguaria única. Confesso que tenho comido cachorros quentes em diversos sítios, mas seja pelo pão ou pela polpa de tomate, nenhum me agrada tanto como os perritos calientes do Simago que, ainda hoje fazem as delícias de muitos.

As mães encontravam o ponto auge desta visita a Badajoz nas Galerias Preciados, mais tarde a primeira estrutura do El Corte Inglês, onde a oferta de roupas, complementos e artigos para o lar eram toda uma descoberta.

Para as crianças, e como já outras vezes vos referi, as Três Campanas eram o nosso sonho de consumo. Brinquedos não faltavam, do chão até ao tecto, desde os bonecos de PVC, aos soldados, aos jogos, ao universo Playmobil que à data quase não existia em Elvas.

Depois voltava-se a casa, não sem antes mostrar todo o recheio da bagageira aos senhores da Guardia Civil, fazendo votos de que nenhum género adquirido representasse um problema para a família...

Apesar de na forma, haver diferenças, na essência um passeio a Espanha era igualmente fascinante para elvenses ou quaisquer outros portugueses.

São Mais Dualidades!!!
NP

sábado, 23 de outubro de 2010

Sugestão Dual (#48)

A sugestão desta semana é de leitura.
Esta sugestão surge de quem é ouvinte assíduo da Rádio Comercial, incluindo o programa da manhã, que inclui duas edições da Caderneta de Cromos do Nuno Markl.

Quem também é ouvinte assíduo dos programas da manhã e das edições diárias da Caderneta de Cromos sabe do que estou a falar. Para quem não é, posso dizer, resumidamente, que é uma recuperação de coisas que fizeram parte da infância e adolescência da minha geração, ou seja, quem anda agora pelos "trintas" a arredores.
Todos os dias, Nuno Markl traz à rádio, duas memórias que fazem parte das nossas memórias.
Foi à conta deste programa e dos seus ouvintes que este verão a Olá trouxe de volta o famoso Fizz limão, entretanto extinto.

Mas como comecei por dizer, a sugestão de hoje é de leitura e é tão simplesmente a versão em livro deste programa.
O livro já saiu em Setembro passado e já teve direito a apresentações oficiais e sessões de autógrafos em Lisboa e no Porto.
Uma leitura engraçada e divertida para um fim-de-semana. Numa livraria perto de nós.

Bom fim-de-semana.

JP