O país conta os dias que faltam para receber o mais alto representante da Igreja, o Papa Bento XVI.No entanto, e recordando anteriores visitas do desaparecido Papa João Paulo II, admito que o entusiasmo é inferior. Razões? Algumas.
Não me refiro propriamente às últimas notícias trazidas a público e que associam os membros do clero a práticas pedófilas, apesar de achar que contribuem para que todos os vejamos de forma bem diferente.
É notória a empatia que João Paulo II conseguia junto dos fiéis e não só. A sua fisionomia ajudava a que todos reconhecemos nele a bondade, a generosidade e a paz que deve ter tão alta figura da Igreja. Todos víamos nele o representante de Deus na terra, a materialização de tudo o que de bom nos transmitem as Sagradas Escrituras.
Fossem ou não crentes, poucas eram as pessoas que não tinham uma boa ideia do Santo Padre. Vimo-lo activo no envolvimento dos cristãos com a igreja, no encontro entre os povos, vimo-lo reconhecer a dor causada aos judeus. Era humilde e afável, cativava pequenos e graúdos.
Muitos choraram com a sua morte e aguardaram com expectativa a nomeação do seu substituto.
Bento XVI sucedeu-o e, por mim falo, não lhe reconheço as características que me faziam gostar de João Paulo II.
Fisicamente tem um ar carregado que nos inspira tudo menos bondade e confiança. Disso não tem o Senhor culpa, cada um é como é.
Considero que a sua actuação, apesar de breve, não tem cativado por aí além e as recentes notícias de que omitiu situações de pedofilia também não abonam em seu favor.
Seja como for, contrariamente ao costume, a sua visita no próximo mês de Maio não me tem interessado particularmente e considero desajustados os custos divulgados na sua recepção. Ao fim e ao cabo, como o sócio JP referia ontem, somos muito pobres para umas coisas, mas demasiadamente ricos para outras.
Julgo que em 1982, fui a Vila Viçosa acenar com uma bandeirinha triangular amarela, ao visitante João Paulo II.
Em 2010 não vou nem até à esquina para ver Bento XVI.
Mudou a minha convicção religiosa? A minha forma de ver a Igreja? Ou mudou a própria Igreja?
São Mais Dualidades!!!
NP
